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Mostrando postagens de agosto, 2024
  Meu Deus, eu sabia! Por que, Ivan, por que você faz isso comigo?   O ano é 1966 e sua hora chegou. Ele está em uma fila, mas só vê a si mesmo e o assistente de Deus. Poderia ser o próprio Deus, mas Ele sabe que se fosse, a maioria se sentiria intimidada o bastante a ponto de não dizer o que realmente quer. E Ele não quer isso. Apesar de todo sua severidade, quer que nesse momento as pessoas se sintam como que diante de um terapeuta em que confiam, e não de um juiz pronto a dar-lhes perpetua. O ano é 1975 e sua hora chegou, diz o assistente divino e pergunta ao homem que está na fila: - O que você quer? - Quero ser homem. - Altura? - 1,79. - Lugar? - Qualquer um nos trópicos. - Pode ser o Brasil? - Sim. -Você nascerá em uma cidade chamada Oeiras. É a mais quente do país. Temperatura media de 35 graus. Sensação térmica de 42. Em meio a tanto calor sua família terá o habito de ir a banhos. Em um deles seu irmão morrerá afogado. Sua mãe ficara com depre...
  A vida é sonho Uma jovem mulher caminha em uma rua onde há um fluxo intenso de transeuntes e veículos. Anda com toda a atenção do mundo, como se disso dependesse não ocorrer ali nenhum acidente. Infelizmente, ocorre, e de todos que podiam ser afetados, apenas ela leva algo além do susto.             Zonza se ver deitada na calçada, muitos curiosos a cercam, alguns a filmam. Seus olhos estão cheios de água. Alguns dos que a olham pensam ser lágrimas de dor. E é. Mas não a dor física. É a dor de se sentir humilhada por ser o centro das atenções. É isso também que a faz desmaiar. E não o sangue que corre profusamente de suas pernas amputadas. Acorda assustada e leva a mão as pernas. Oh, meu Deus, elas estão aqui! Graças a Deus! Foi só um sonho! Foi só um sonho! Mas hoje a rua não me vê.
                                             Está em minhas veias, é o meu coração "Mas estávamos com medo: não havia nada mais assustador que uma criança apática. Essa mesma palavra, agora, parece um eufenismo para um destino terrível." (Uma Vida Pequena - Hanya Yanagihara) Eu não queria vir a essa confraternização da empresa. Nunca quero. Mas sempre venho, pois quem decide se vou ou não a um lugar não sou eu, mas sim Fabiana, minha mãe. Ela está sempre dizendo nós isso, nós aquilo, nós aquele outro, mas nesse nós, só há o seu eu. Ela toma todas as decisões. Ela determina como será o dia da hora que acordamos a hora que vamos dormir. Ditaria nossos sonhos e nossos pensamentos se pudesse. Mas não pode. Ela não pode. Mas, isso, pelo menos isso eu posso.  Eu posso.  São os únicos campos em que posso, apesar de ter que mantê-los sempre em silêncio. Minha vida é...